Quem é Renan Santos
Renan Antônio Ferreira dos Santos, de 42 anos, é empresário, ativista político e um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL). Nascido em São Paulo, ele disputa pela primeira vez uma eleição para um cargo público e foi escolhido pelo Partido Missão para concorrer à Presidência da República em 2026.
A trajetória de Renan na política começou a ganhar projeção durante as manifestações de 2013, período em que participou da criação e organização do MBL. O movimento se tornou uma das principais forças de mobilização pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff, em 2016.
Anos depois, Renan passou a defender a criação de um partido próprio para organizar uma direita com um programa político mais estruturado.
O resultado foi o Partido Missão, aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2025. Renan Santos tornou-se o primeiro presidente da legenda.
Da criação do MBL à candidatura presidencial
Antes de se tornar uma das principais lideranças do MBL, Renan chegou a ingressar no curso de Direito da Universidade de São Paulo (USP), mas abandonou a graduação para trabalhar.
Segundo a biografia apresentada por sua campanha, em 2009 ele passou a atuar nos negócios da família e participou da recuperação de empresas em dificuldades financeiras.
Foi a partir de 2013, entretanto, que sua trajetória ganhou uma dimensão política.
Renan participou da fundação do MBL e esteve entre os articuladores do movimento durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff.
A experiência de mobilização política nas ruas, nas redes sociais e posteriormente na organização partidária se tornou a base de sua candidatura presidencial.
O que é o Partido Missão?
O Missão é uma das novas siglas da política brasileira. A legenda foi aprovada pelo TSE em 2025 e se apresenta como um partido de direita, com forte defesa do liberalismo econômico, redução do tamanho do Estado, segurança pública e reformas estruturais.
Renan Santos é o principal nome da legenda e ocupa a presidência do partido.
A sigla tenta se diferenciar tanto da esquerda quanto do chamado Centrão e afirma buscar uma direita mais programática, com propostas detalhadas para diferentes áreas do governo.
A principal base programática da legenda é o Livro Amarelo, documento que reúne diagnósticos e propostas para o país.
O programa foi elaborado ao longo de dois anos com participação de centenas de pesquisadores voluntários e é apresentado pelo partido como a base intelectual de seu projeto de governo.
Quais são as principais propostas de Renan Santos?
O programa de governo de Renan está organizado em áreas como economia, desenvolvimento, segurança, trabalho, educação e reforma do Estado.
Entre as principais propostas estão:
Segurança pública
A segurança é uma das principais bandeiras da candidatura.
Renan defende uma política de enfrentamento direto ao crime organizado, incluindo a retomada de territórios dominados por facções criminosas.
O programa também prevê a criação de estruturas prisionais de maior segurança e o uso de tecnologia para apoiar o trabalho das forças policiais.
A campanha estabelece como uma das metas reduzir o número anual de homicídios no país para menos de 10 mil.
Economia e ajuste fiscal
Na economia, o candidato defende um ajuste fiscal focado principalmente na redução das despesas públicas.
Entre as propostas está a chamada PEC do Equilíbrio Fiscal, apresentada pelo partido como uma forma de controlar a trajetória da dívida pública e criar condições para a redução dos juros.
O programa também prevê medidas para aumentar a produtividade, estimular investimentos e criar Zonas Econômicas Especiais.
Inteligência artificial e tecnologia
Renan também coloca tecnologia e inteligência artificial entre os setores estratégicos para o desenvolvimento econômico.
A campanha defende uma política de estímulo à inovação e à instalação de infraestrutura tecnológica no país, incluindo investimentos relacionados a data centers e à chamada corrida global pela inteligência artificial.
Educação
Na educação, o programa dá destaque à alfabetização na idade adequada e defende o uso do método fônico.
O candidato também fala em maior disciplina dentro das escolas e em mecanismos de incentivo para professores e gestores que apresentarem melhores resultados.
Uma das metas apresentadas pelo programa é elevar para 90% a parcela de crianças alfabetizadas na idade considerada adequada.
Trabalho e desfavelização
Outro eixo da campanha é a chamada “desfavelização”.
A proposta inclui regularização e concessão de títulos de propriedade para moradores de áreas informais, além de maior presença do Estado nesses territórios.
O programa também propõe substituir gradualmente políticas de transferência de renda por mecanismos voltados à inserção das pessoas no mercado de trabalho.
Reforma do Estado
Renan defende uma profunda mudança na estrutura administrativa brasileira.
Entre as propostas estão mecanismos para vincular resultados da administração pública ao desempenho de gestores e mudanças na estrutura dos municípios.
Uma das ideias apresentadas pelo programa é a fusão de municípios considerados inviáveis financeiramente.
PROPOSTAS DE RENAN SANTOS
Segurança: combate direto às facções, retomada de territórios e fortalecimento das forças policiais.
Economia: ajuste fiscal, redução de despesas e estímulo à produtividade.
Tecnologia: incentivo à inteligência artificial, inovação e infraestrutura tecnológica.
Educação: alfabetização na idade certa, método fônico e maior disciplina nas escolas.
Trabalho: regularização de propriedades e políticas voltadas à inserção no mercado de trabalho.
Estado: reforma administrativa, metas de desempenho e revisão da estrutura municipal.
Renan e a direita brasileira
A candidatura de Renan Santos ocorre em um momento de disputa pelo eleitorado de direita.
Embora tenha participado da construção do MBL e tenha trajetória ligada ao campo liberal e conservador, Renan tenta apresentar o Missão como uma alternativa própria dentro desse espectro político.
Sua campanha defende uma direita mais orientada por propostas e programas de governo, em vez de depender exclusivamente da popularidade de lideranças políticas tradicionais.
O discurso coloca forte ênfase em liberdade econômica, combate à criminalidade, responsabilidade fiscal e redução da burocracia estatal.
Relação com Jair Bolsonaro e o bolsonarismo
A trajetória de Renan também é marcada por divergências com setores do bolsonarismo.
O candidato busca disputar parte do eleitorado de direita sem se apresentar como sucessor direto do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Essa posição coloca Renan em uma situação particular na eleição: ao mesmo tempo em que compartilha algumas pautas com candidatos conservadores, procura construir uma identidade política independente.
Durante a campanha, o candidato também tem adotado posições duras em relação ao Supremo Tribunal Federal.
Em entrevista ao Jornal Nacional, Renan afirmou que poderia deixar de cumprir decisões do STF que considerasse ilegais, desde que tivesse respaldo jurídico. A declaração gerou críticas e abriu um debate sobre os limites da atuação do Poder Executivo diante das decisões judiciais.
Debate presidencial
Renan Santos participou do debate presidencial promovido pela Band em agosto.
O encontro contou também com Ronaldo Caiado e Augusto Cury, depois que outros candidatos de maior intenção de voto não participaram.
Renan adotou durante o debate um discurso mais combativo, especialmente em relação aos adversários ausentes e às instituições.
Dias depois, em entrevista à TV Globo, sua postura foi considerada mais moderada. Segundo informações divulgadas pelo UOL, a mudança teria sido resultado de uma estratégia definida pela equipe de campanha para adaptar o discurso ao público da emissora.
Renan Santos nas pesquisas
Apesar da crescente exposição nacional, Renan ainda aparece com percentuais de um dígito nas pesquisas eleitorais.
No levantamento do PoderData realizado entre 23 e 26 de agosto, ele registrou 4% das intenções de voto.
Na pesquisa BTG/Nexus, realizada entre 21 e 23 de agosto, Renan apareceu com 3% nos cenários de primeiro turno. No Datafolha, o candidato também registrou 4% em um dos cenários pesquisados.
Os números mostram que o candidato ainda está distante dos líderes da corrida presidencial, mas sua candidatura já alcançou espaço entre os nomes que disputam o eleitorado de direita.
Redes sociais e campanha digital
A internet é uma das principais ferramentas da campanha de Renan Santos.
Sua trajetória no MBL ajudou a construir experiência em mobilização política pelas redes sociais, e a campanha presidencial utiliza vídeos curtos, transmissões, aplicativos e conteúdo digital para alcançar eleitores.
Em agosto, porém, a candidatura entrou no radar do TSE após a equipe inicialmente não informar todos os perfis utilizados por Renan nas redes sociais no registro da candidatura.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, apenas o perfil no X e um site haviam sido informados inicialmente. Perfis no Instagram, YouTube e TikTok foram posteriormente acrescentados após questionamentos.
O episódio ocorreu em meio às novas regras eleitorais de 2026 relacionadas à recomendação automatizada de conteúdo político pelas plataformas.
Vice de Renan
O candidato a vice-presidente na chapa de Renan Santos é Aroldo Medina, jornalista e tenente-coronel da reserva da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.
A composição da chapa foi oficializada pelo partido durante sua convenção e posteriormente registrada junto à Justiça Eleitoral.
A escolha reforça a prioridade dada pela campanha à pauta de segurança pública.
O desafio eleitoral
Renan Santos chega à eleição de 2026 com uma característica diferente da maioria dos candidatos: sua carreira política foi construída principalmente fora das instituições tradicionais.
Ele ajudou a fundar um dos movimentos políticos mais influentes da década passada, participou da mobilização pelo impeachment de Dilma Rousseff e posteriormente liderou a criação de um novo partido.
Agora, o desafio é transformar essa experiência em votos.
Para crescer na disputa, Renan precisa ampliar sua presença para além do eleitorado já identificado com o MBL e com pautas de direita. Também terá de enfrentar uma eleição marcada por candidatos mais conhecidos nacionalmente e por uma forte disputa pelo eleitor conservador.
As próximas semanas de campanha serão decisivas para medir até onde a estratégia do Missão conseguirá avançar.