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Romeu Zema: quem é o ex-governador de Minas que disputa a Presidência pelo Novo

Empresário e ex-governador de Minas Gerais, Zema tenta levar ao Palácio do Planalto a agenda liberal que marcou seus dois mandatos, com foco em ajuste fiscal, privatizações e redução do tamanho do Estado
zema

Quem é Romeu Zema

Romeu Zema Neto, de 61 anos, é empresário, administrador e ex-governador de Minas Gerais. Natural de Araxá, no Triângulo Mineiro, ele entrou na política em 2018, quando disputou pela primeira vez um cargo público e foi eleito governador de Minas Gerais.

Antes da vida política, Zema construiu sua carreira no setor privado. Formado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), ele fez carreira no grupo empresarial criado por sua família, que atua em áreas como varejo, concessionárias, combustíveis e serviços financeiros.

Em 2018, filiou-se ao Partido Novo e venceu a eleição para o governo de Minas no segundo turno, com 71,8% dos votos válidos.

Quatro anos depois, foi reeleito no primeiro turno, com 56,1% dos votos válidos, consolidando-se como uma das principais lideranças do Novo e do campo político associado à direita liberal no país.

De empresário a governador

A campanha de Zema em 2018 foi construída em torno da ideia de levar para a administração pública práticas de gestão utilizadas no setor privado.

Ao assumir o governo mineiro, encontrou um cenário de dificuldades financeiras. Segundo o perfil oficial do governo de Minas, havia cerca de R$ 34,5 bilhões em despesas herdadas e não pagas e uma dívida pública de aproximadamente R$ 108 bilhões.

Durante os dois mandatos, o governo Zema adotou uma agenda de contenção de despesas, busca pelo equilíbrio das contas públicas, concessões e ampliação da participação privada em determinadas áreas.

A gestão também ficou marcada pela adesão de Minas Gerais ao Regime de Recuperação Fiscal, mecanismo criado para auxiliar estados com elevado nível de endividamento.

Saída do governo de Minas

Para disputar a Presidência, Zema deixou o governo de Minas Gerais em março de 2026, dentro do prazo previsto pela legislação eleitoral.

O então vice-governador Mateus Simões assumiu o comando do estado em 22 de março.

A candidatura presidencial foi oficialmente aprovada pelo Novo em julho. Posteriormente, o partido registrou a chapa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o senador Eduardo Girão como candidato a vice-presidente.

É a primeira vez que Zema disputa uma eleição para a Presidência da República.


O que Zema defende?

O programa de governo apresentado pelo Novo recebeu o nome de “Plano Implacável” e reúne 81 páginas, divididas em 20 temas.

A proposta apresenta uma agenda econômica liberal, com redução de despesas, revisão da estrutura estatal, privatizações e mudanças no sistema tributário.

Economia

O equilíbrio das contas públicas é uma das principais bandeiras da candidatura.

Zema defende redução de gastos, revisão de despesas consideradas ineficientes e maior controle sobre o crescimento da máquina pública.

A campanha também propõe mudanças no sistema tributário com o objetivo de reduzir a complexidade e os custos para empresas e cidadãos.

Privatizações

A ampliação da participação privada na economia ocupa lugar central no programa.

Zema defende a privatização de empresas estatais e a utilização de concessões e parcerias com a iniciativa privada para serviços e infraestrutura.

A ideia segue a linha adotada pelo Novo e pela própria gestão de Zema em Minas Gerais.

Reforma administrativa

Outro eixo da candidatura é a redução do tamanho e do custo da estrutura pública.

O programa prevê mudanças na administração federal, com maior cobrança por resultados e revisão de estruturas consideradas excessivamente burocráticas.

Segurança pública

Zema apresenta uma postura mais rígida no combate à criminalidade.

A campanha defende o fortalecimento das forças de segurança, maior integração entre órgãos públicos e medidas de combate ao crime organizado.

Saúde e educação

Na saúde e na educação, o programa aposta em aumento de eficiência e gestão baseada em resultados.

A proposta também prevê maior participação da iniciativa privada e de organizações sociais na prestação de determinados serviços públicos.


PROPOSTAS DE ROMEU ZEMA

Economia: controle de gastos e busca pelo equilíbrio das contas públicas.

Privatizações: venda de estatais e ampliação de concessões e parcerias privadas.

Impostos: reforma e simplificação do sistema tributário.

Estado: redução da burocracia e revisão da estrutura administrativa.

Segurança: fortalecimento das forças policiais e combate ao crime organizado.

Gestão: maior cobrança por resultados e adoção de práticas de eficiência na administração pública.


Zema e a direita brasileira

A candidatura de Zema ocorre em meio a uma disputa pelo eleitorado de direita.

O ex-governador tenta se apresentar como uma alternativa liberal ao eleitor que defende uma agenda econômica de redução do Estado e responsabilidade fiscal, mas que também pode não se identificar completamente com outras candidaturas do campo conservador.

Seu discurso combina liberalismo econômico com posições mais duras em temas relacionados à segurança pública e ao combate ao crime.

A estratégia, porém, enfrenta um problema: a direita chega à eleição de 2026 dividida entre diferentes candidaturas.

Além de Zema, nomes como Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Renan Santos disputam parte do mesmo eleitorado.

Em agosto, Flávio Bolsonaro chegou a pedir o chamado “voto útil” aos eleitores de Caiado, Zema e Renan Santos, argumentando que havia convergência entre essas candidaturas na oposição ao PT.

Críticas ao PT e ao STF

Durante a campanha, Zema intensificou o discurso de oposição ao PT e ao governo Lula.

Um dos exemplos foi o lançamento de um jingle eleitoral que utiliza uma paródia e faz críticas diretas ao PT, ao presidente Lula e a ministros do Supremo Tribunal Federal.

A peça também aborda temas como segurança, apostas esportivas e denúncias envolvendo órgãos públicos.

A estratégia aproxima Zema de uma comunicação política mais combativa nas redes sociais, diferente do perfil predominantemente voltado à gestão e à economia que marcou sua primeira campanha ao governo de Minas.


Zema e as bets

Outro tema que ganhou espaço na campanha é a regulamentação das apostas esportivas.

Zema passou a adotar uma posição contrária às chamadas bets e afirmou que pretende proibi-las caso seja eleito.

Em declarações recentes, o candidato comparou o vício em apostas ao consumo de drogas, defendendo medidas mais duras contra o setor.

A posição, entretanto, gera uma particularidade dentro do próprio Partido Novo: integrantes da legenda têm opiniões diferentes sobre o mercado de apostas, e o partido não mantém uma orientação única sobre o tema.

Patrimônio de R$ 178,7 milhões

O patrimônio de Zema também ganhou destaque durante a eleição.

Segundo os dados declarados ao TSE, o candidato possui R$ 178,7 milhões em bens, valor aproximadamente R$ 49 milhões superior ao declarado em 2022.

A maior parcela está relacionada a uma holding familiar, com cerca de R$ 94,5 milhões em participações. Outros aproximadamente R$ 56 milhões estão em fundos de investimento.

Em 2018, quando entrou na política, Zema havia declarado aproximadamente R$ 69,7 milhões. Desde então, seu patrimônio declarado cresceu de forma significativa.

A evolução patrimonial tornou-se um dos pontos explorados por adversários durante a campanha.


Zema nas pesquisas

Apesar de ter sido governador de um dos estados mais populosos do país por dois mandatos, Zema ainda encontra dificuldades para transformar sua experiência política em uma candidatura competitiva no cenário nacional.

Os levantamentos divulgados em agosto mostram o candidato do Novo com entre 1% e 3% das intenções de voto, dependendo do instituto e do cenário apresentado.

Na pesquisa PoderData, Zema aparece com 2%.

No levantamento BTG/Nexus, registra 3% em um cenário sem Pablo Marçal e 2% quando Marçal é incluído.

No Datafolha, o candidato aparece com 3% em um dos cenários divulgados.

Em uma simulação de segundo turno entre Zema e Lula, o petista aparece à frente por 47% a 40%.

Os números colocam Zema distante dos líderes da corrida presidencial, mas também mostram que ele mantém uma parcela do eleitorado de direita mesmo diante da presença de outros candidatos do mesmo campo.


Entrevista na TV Globo

Zema foi um dos candidatos convidados para a série de entrevistas com presidenciáveis realizada pela TV Globo.

A escolha dos participantes foi baseada na pesquisa Quaest divulgada em agosto, e a entrevista com Zema foi realizada antes das participações de Lula, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury.

A participação deu ao candidato uma das maiores vitrines de sua campanha para apresentar propostas ao eleitorado nacional.

O desafio, entretanto, é transformar exposição em crescimento nas pesquisas e ampliar sua base para além do eleitorado já identificado com o Novo.


O desafio de Zema na eleição presidencial

A candidatura de Romeu Zema representa uma tentativa de nacionalizar o projeto político que o Novo construiu em Minas Gerais.

Depois de dois mandatos como governador, Zema apresenta a experiência administrativa como seu principal cartão de visita e tenta convencer o eleitor de que o modelo de gestão adotado no estado pode ser reproduzido em nível federal.

O cenário nacional, porém, é mais complexo.

Além de enfrentar candidatos com maior reconhecimento nacional, Zema disputa diretamente uma parcela do eleitorado de direita com nomes que possuem bases políticas próprias e estruturas eleitorais maiores.

Sua campanha terá de superar ainda outro obstáculo: transformar a imagem de “gestor eficiente” construída em Minas em uma proposta capaz de conquistar eleitores de diferentes regiões do país.

A eleição de 2026 será, portanto, o maior teste político da carreira de Zema.

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